
A edição de 2026 do Prêmio de Ação dos ODS está com inscrições abertas e busca destacar agentes de mudança que impulsionam soluções concretas para um futuro mais justo, sustentável e inclusivo.
Para se inscrever na edição de 2026, concorrendo ao Prêmio Criatividade ou Resiliência, ou para nomear uma pessoa ou organização ao Prêmio Agente de Mudança, acesse a página oficial de inscrições: https://sdgactionawards.org/apply/
O prazo final para inscrições se encerra em 31 de maio de 2026, domingo, às 19h (horário de Brasília).
Entre os vencedores da última edição está a Central Única das Favelas (CUFA), vencedora global do Prêmio Resiliência em 2025. Nascida nas favelas brasileiras e hoje presente em todos os estados do país e em diversos países, a organização foi reconhecida pela ONU por transformar vulnerabilidade em potência.
À frente desse trabalho está Marcus Vinícius Athayde, presidente da CUFA Global, que vê no reconhecimento internacional não apenas uma conquista institucional, mas a valorização da força coletiva das periferias.
1. Nos apresente um pouco do trabalho de vocês na CUFA.
Bom, a CUFA significa Central Única das Favelas. Lá atrás ela começou no Rio de Janeiro, na Cidade de Deus, especificamente. Foi a primeira base que a gente teve da CUFA. E ao longo do tempo ela foi se expandindo para todos os estados do Brasil, hoje está em 79 países.
Então, a CUFA acabou surgindo muito com um viés de como que a partir do empreendedorismo, da capacitação, da educação e da cultura a gente consegue mudar a vida das pessoas e, a partir disso, elas mudam a vida do seu entorno.
Desde 2012 a gente começou a fazer a Taça das Favelas, que hoje é o maior campeonato de futebol que a gente tem no país para jovens de favela. Começou só no Rio de Janeiro, hoje acontece em todos os estados do Brasil com uma edição nacional. Desde 2024 a gente faz em Moçambique, 2025 a gente começa fazendo nos Estados Unidos, na África do Sul, no Congo e outros países.
A Expo Favela, que é a nossa feira de empreendedorismo que começou em São Paulo, hoje acontece em todos os estados do Brasil, e desde 2024 acontece a Expo Favela Paris, na França. Esse ano vai ter a primeira edição em Cabo Verde. Então, a gente vai percebendo que essas ações que a gente faz não se limitam ao Brasil, porque essa realidade de favela não é só brasileira.
2. Como começou a sua jornada na CUFA e, quando você pensa na sua experiência, quais são os primeiros momentos ou imagens, que vêm à sua cabeça?
Minha jornada na CUFA começou em 2020. A Taça das Favelas já acontecia no futebol, e em 2020, por causa justamente da pandemia, a gente teve que dar uma pausa naquelas ações que já aconteciam. E, então, eu fui o organizador da Taça das Favelas Free Fire.
Free Fire, que era um jogo muito famoso, principalmente nas favelas na época, num contexto de pandemia onde as pessoas não podiam sair de casa. Era um jogo que rodava muito fácil em qualquer telefone. Então a gente criou a Taça das Favelas Free Fire para ser, naquele momento, um substituto que pudesse continuar mobilizando a nossa juventude e as favelas do Brasil todo.
Eu acho que as coisas mais marcantes, desde 2020, que eu consegui ver… uma foi principalmente na pandemia, quando a gente fez uma mobilização muito grande. Eu acho que ficaram diversas imagens, da distribuição de cestas básicas que a gente fez na época, distribuição de alimento, de produtoS de higiene.
A gente fez até campanhas de transferência de renda mesmo, direta, num projeto que a gente fez chamado Mães da Favela, que foi para ajudar as mulheres, que são as principais chefes das famílias dentro das favelas.
Lembro muito forte também da campanha que a gente fez recentemente, no Rio Grande do Sul, por causa das enchentes que acabaram ali enchendo toda a região, principalmente em Porto Alegre.
E também o hospital que a gente construiu no ano passado na região dos Yanomamis, que eu acho que talvez tenha sido uma das ações mais simbólicas que a gente fez.
A gente começou a fazer esse projeto e conseguiu entregar o hospital no ano passado, no meio de 2025. Foi uma construção super difícil, fazer no meio da floresta, mas o hospital ficou pronto e hoje está atendendo diversas pessoas daquele povo.
3. O Prêmio Resiliência da ONU, que vocês receberam no ano passado, reconhece iniciativas que transformam a adversidade em ação. O que que a palavra “resiliência” significa para você?
Eu acho que resiliência significa resistir aos problemas que estão acontecendo, mas principalmente enxergar a luz no fim do túnel e trabalhar para chegar nessa luz. O nosso foco é criar projetos, criar iniciativas que possam mudar a vida dos moradores de favela e periferia no Brasil e no mundo.
Então, a gente tem diversos projetos, como a Taça das Favelas para os jovens, a gente tem a Expo Favela para os empreendedores… A gente tem diversos outros projetos e iniciativas que trabalham com educação, que trabalham com formação e trabalham com empregabilidade porque, para ser resiliente, precisa ter um caminho que resolva esses problemas.
4. Um ano após a premiação em Roma, como você explicaria o impacto do prêmio no trabalho da CUFA?
Eu acho que o prêmio foi muito importante para a gente criar uma conexão maior com a ONU em si. Também acho que foi um momento muito importante, não só pessoalmente para mim, mas para todas as lideranças da CUFA no Brasil, no Rio de Janeiro, em todos os estados e países que fazem parte dessa nossa rede, porque serviu para mostrar a todos nós que o nosso trabalho importa, o nosso trabalho muda a vida das pessoas. Então essa premiação é uma premiação de todos nós e é uma felicidade coletiva.
5. Quais são os principais investidores da CUFA? Tanto no Brasil quanto em outros países.
Hoje muitas empresas nos procuram para fazer projetos e doações. Então, hoje, por exemplo, a Taça das Favelas, ela tem seus patrocinadores. Cada um dos estados tem os seus próprios patrocinadores por causa da visibilidade que foi ganhando. A mesma coisa nos nossos outros eventos.
A gente tem nossos doadores frequentes, seja da sociedade civil, seja doadores privados mesmo, mas desde 2013 a gente percebeu um problema que praticamente todas as organizações sociais acabam enfrentando em algum momento, que é o financiamento.
Como você pode fazer atividades sociais se você não tiver uma fonte de dinheiro recorrente para garantir que você vai fazer? Não tem como você fazer uma revolução sem dinheiro.
Então, entre 2013 e 2015, a gente criou uma iniciativa, a Favela Holding, que é um grupo de empresas, que hoje tem mais de 30 empresas no grupo, que trabalham exclusivamente em território de favela, e o que essas empresas geram, parte, é para financiar a CUFA.
6. E qual seria a sua mensagem para jovens que enfrentam desafios, e buscam realizar seus sonhos e construir uma vida melhor nas favelas mundo afora?
Bom, acho que a mensagem que eu tenho para deixar para essas pessoas é justamente aquilo que nos fez ganhar o prêmio de resiliência. A gente sabe que as dificuldades no momento podem ser grandes, nós precisamos ter força para lutar contra isso, para resistir, mas principalmente nós temos que trabalhar pelo nosso próprio futuro.
Seja com formação, seja com educação, seja com informação, mas a gente precisa trabalhar para construir um futuro melhor para nós mesmos e para as próximas gerações. Então acho que a mensagem que eu tenho para deixar é: estude, trabalhe, cresça e monte aquele futuro que você quer ter daqui a 10, 20 anos.
Sobre o Prêmio de Ação dos ODS
OPrêmio de Ação dos ODS: Heróis e Heroínas do Amanhã é promovido pela Campanha da ONU de Ação dos ODS, uma iniciativa especial do secretário-geral da ONU, sediada no escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Bonn, na Alemanha.
Para se inscrever no Prêmio Criatividade ou Resiliência, ou para nomear uma pessoa ou organização ao Prêmio Agente de Mudança, acesse a página oficial de inscrições: https://sdgactionawards.org/apply/
O prazo final para inscrições se encerra em 31 de maio de 2026, domingo, às 19h (horário de Brasília).
Fonte: brasil.un.org